["And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow
Let it be" - Let It Be; The Beatles]
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow
Let it be" - Let It Be; The Beatles]
Minhas pernas frias estão roçando uma contra a outra embaixo do cobertor numa gélida noite de verão. Os meus pés sempre gelados fazem a meia parecer úmida.
Explorei a cama toda em giros. Inquieta. Buscando paz para a
chegada do sono. - Ele não vem.
A água que cai violentamente do céu faz barulho na janela.
Talvez ela queira entrar. Talvez lavar a minha alma; quem sabe. Mas o alumínio
que tampa o buraco ao centro da parede, não permite sua entrada; não é noite
para isso.
Na mente a torrencial chuva de pensamentos não dá trégua, há
uma enxurrada dentro do meu ser. Estou ilhada em mim. Sem ter como sair, correr
ou fugir.
Há um livro na cabeceira, um narrado pela morte. A leitura,
dessa vez, não me convida. Não há espaço para ela nesta madrugada.
Acho que as novidades me assustam. Muito mais por fugirem do
meu controle. Não. Não gosto de coisas que não possam estar sob meu domínio.
Essa situação de não ter as rédeas do que me afeta, não é algo que me conforta.
Ao contrário. Odeio a sensação de não estar segura, de estar sob os efeitos de
algo alheio a mim. E então são informações que me chegam vorazes e eu
simplesmente não sei o que fazer. Talvez porque não haja mesmo mais que fazer
senão silenciar e aceitar. Mas aceitar
calada nunca foi meu forte.
Fico maquinando qualquer solução que não existe. Certas
coisas não precisam de solução ou não têm espaço para um desfecho que resolva
algo. Certas coisas realmente não precisam ser resolvidas; Não no mundo lá fora
– mas em mim, sim.
Odeio possibilidades e odeio considerar possibilidades.
E quando os três tempos resolvem se envolver e complicar
ainda mais as coisas, juro que minha reação é me fechar numa bolha e ouvir
músicas extremamente tristes que façam a situação piorar ainda mais. Um rock de
cortar os pulsos serve. Um MPB choroso também dá conta. Ou um pop
melancólico-sofredor-minha-vida-é-uma-droga.
Não, eu nunca ouço músicas alegres em momentos complicados.
Ouço as piores músicas possíveis. Não em qualidade musical; mas em capacidade
reanimadora.
O fato é que eu já perdi três horas do meu sagrado sono. A
chuva piorou. Eu preciso de mais um cobertor. E já rodopiei por diversos
assuntos para chegar a conclusão nenhuma.
Apenas sei que eu nunca sei de nada.
Sou cheia de não-problemas que nunca sei resolver.
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