sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Let It Be"


 ["And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow
Let it be" - Let It Be; The Beatles]


Minhas pernas frias estão roçando uma contra a outra embaixo do cobertor numa gélida noite de verão. Os meus pés sempre gelados fazem a meia parecer úmida.
Explorei a cama toda em giros. Inquieta. Buscando paz para a chegada do sono. - Ele não vem.
A água que cai violentamente do céu faz barulho na janela. Talvez ela queira entrar. Talvez lavar a minha alma; quem sabe. Mas o alumínio que tampa o buraco ao centro da parede, não permite sua entrada; não é noite para isso.
Na mente a torrencial chuva de pensamentos não dá trégua, há uma enxurrada dentro do meu ser. Estou ilhada em mim. Sem ter como sair, correr ou fugir.
Há um livro na cabeceira, um narrado pela morte. A leitura, dessa vez, não me convida. Não há espaço para ela nesta madrugada.
Acho que as novidades me assustam. Muito mais por fugirem do meu controle. Não. Não gosto de coisas que não possam estar sob meu domínio. Essa situação de não ter as rédeas do que me afeta, não é algo que me conforta. Ao contrário. Odeio a sensação de não estar segura, de estar sob os efeitos de algo alheio a mim. E então são informações que me chegam vorazes e eu simplesmente não sei o que fazer. Talvez porque não haja mesmo mais que fazer senão silenciar e aceitar.  Mas aceitar calada nunca foi meu forte.
Fico maquinando qualquer solução que não existe. Certas coisas não precisam de solução ou não têm espaço para um desfecho que resolva algo. Certas coisas realmente não precisam ser resolvidas; Não no mundo lá fora – mas em mim, sim.
Odeio possibilidades e odeio considerar possibilidades.
E quando os três tempos resolvem se envolver e complicar ainda mais as coisas, juro que minha reação é me fechar numa bolha e ouvir músicas extremamente tristes que façam a situação piorar ainda mais. Um rock de cortar os pulsos serve. Um MPB choroso também dá conta. Ou um pop melancólico-sofredor-minha-vida-é-uma-droga.
Não, eu nunca ouço músicas alegres em momentos complicados. Ouço as piores músicas possíveis. Não em qualidade musical; mas em capacidade reanimadora.
O fato é que eu já perdi três horas do meu sagrado sono. A chuva piorou. Eu preciso de mais um cobertor. E já rodopiei por diversos assuntos para chegar a conclusão nenhuma.
Apenas sei que eu nunca sei de nada.

Sou cheia de não-problemas que nunca sei resolver.

0 Expressões:

Postar um comentário

Comentar significa fazer uma observação, analisar. Logo, para comentar é preciso antes ter lido o texto.
Nada de apenas "propagandar". Grata.

- A opinião aqui é livre. Sinta-se à vontade para criticar ou discordar. Bem como para elogiar e concordar.
Acrescento: respeito é item fundamental.
(Liberdade de Expressão!)