terça-feira, 15 de novembro de 2011

Signos

Só porque a tua música tocou as quatro da tarde em um restaurante italiano onde eu estava, não significa que isso quer dizer alguma coisa. No máximo coincidência árdua do destino. Oras, o que mais isso pode significar senão exatamente o que foi: Tua música -que se tornou tua há tempos atrás quando eu a escutava nos meus fones de ouvido e cantarolava alguns trechos para quem quisesse ouvir e você parou na minha frente dizendo que adorava essa canção, e então eu decidi que essa seria a música que sempre me lembraria você; sempre. - tocando as quatro da tarde num restaurante italiano no qual eu fazia uma refeição descabidamente fora de hora minutos após decidir não te encontrar?
As coisas não precisam ter um porquê. Aceite isso. É uma tremenda mania de mulherzinha essa de querer que tudo signifique algo. Qualquer acontecimento inusitado precisa ser um sinal de deus, do cosmo, do destino, dos duendes, das fadas, dos deuses do Olimpio ou coisa qualquer que justifique uma qualquer eventualidade que possa pender minimamente para algo relacionada a decisões que você tomou ou que deveria tomar na sua vida, ou então justifique respostas para perguntas que nem sequer foram feitas ou ainda caminhos alternativos sabe-se lá para fugir do que ou para chegar sabe-se lá no quê ou onde!
E daí que o telefone tocou assim que a tua música calou e era alguém me convidando para te encontrar, na maior inocência possível sem saber do ocorrido que nunca ocorreu, mas que fazia sentido na minha mente porque minha lógica tão ilógica dava sentido às minhas ilusões e incertezas de certezas? E DAÍ? Já ouviu falar em simultaneidade? Foi nada mais que isso.
Essa coisa de sincronia, almas conectadas, indícios...Não passam de provas mal provadas; demonstração de nada além de coisa nenhuma.
Mesmo assim, eu fico tentando entender aquela lua no céu às três da tarde de um dia ensolarado, de leves brisas, cabelos esvoaçantes, sorriso para o motorista do ônibus, nuvens com formatos de bichinhos  e brincadeiras com crianças desconhecidas e eu simplesmente não gosto de crianças, fico o mais longe possível para não matar nenhuma delas. Mas era uma lua no céu as três da tarde do dia em que algo nos aconteceu! Não pode ter sido apenas uma lua no céu as três da tarde. Simplesmente porque a lua não costuma estar no céu as três da tarde! Entende isso?
Então sim, em raras – raríssimas- exceções, as coisas podem significar algo até mesmo para seres tão céticos quanto eu o sou. E já começo a considerar que talvez a tua música tocando no restaurante italiano signifique que eu não deveria estar lá e que a música não deveria tocar porque se eu estivesse com você ou no caminho de te encontrar há a possibilidade de ter acontecido coisas diferentes que poderiam ou não ser interpretadas como sinal de algo que eu continuaria afirmando não fazer sentido ou não ter importância. Dane-se, nada mesmo faz sentido porque quando é sobre você qualquer mínimo detalhe tem importância maior e eu realmente me contradigo tentando nos entender a partir da minha tentativa de entender você.
Será, então, que seria a minha contrariedade ao meu próprio ser um sinal?
Mas sinal de quê?

4 Expressões:

  1. As coisas não precisam ter um porquê. Aceite isso. É uma tremenda mania de mulherzinha essa de querer que tudo signifique algo. - Foda!
    Li em primeiríssima mão, muito bom (:

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  2. Não sei o porque mas veio na minha cabeça o trecho da música O vento dos Los hermanos "Não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer".
    Então é melhor assumir que existe algo, do que ficar pensando que não existe!

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  3. Caralho, Luiza, que texto sensacional. A cada palavra eu me arrepiava mais e mais. Sejam acontecimentos fortuitos ou calculados, há coisas que nós não conseguimos - e nem devemos - entender. Beijo!

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  4. Eu simplesmente AMEI o texto.
    E não adianta a gente querer explicar tudo, tem coisas que por mais que tenham razão pra acontecer, não são em sinais corriqueiros que encontramos essa razão.

    =)
    Beijo.

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