As coisas não precisam ter um
porquê. Aceite isso. É uma tremenda mania de mulherzinha essa de querer que
tudo signifique algo. Qualquer acontecimento inusitado precisa ser um sinal de
deus, do cosmo, do destino, dos duendes, das fadas, dos deuses do Olimpio ou
coisa qualquer que justifique uma qualquer eventualidade que possa pender minimamente
para algo relacionada a decisões que você tomou ou que deveria tomar na sua
vida, ou então justifique respostas para perguntas que nem sequer foram feitas
ou ainda caminhos alternativos sabe-se lá para fugir do que ou para chegar
sabe-se lá no quê ou onde!
E daí que o telefone tocou assim
que a tua música calou e era alguém me convidando para te encontrar, na maior
inocência possível sem saber do ocorrido que nunca ocorreu, mas que fazia
sentido na minha mente porque minha lógica tão ilógica dava sentido às minhas
ilusões e incertezas de certezas? E DAÍ? Já ouviu falar em simultaneidade? Foi
nada mais que isso.
Essa coisa de sincronia, almas
conectadas, indícios...Não passam de provas mal provadas; demonstração de nada
além de coisa nenhuma.
Mesmo assim, eu fico tentando
entender aquela lua no céu às três da tarde de um dia ensolarado, de leves
brisas, cabelos esvoaçantes, sorriso para o motorista do ônibus, nuvens com
formatos de bichinhos e brincadeiras com
crianças desconhecidas e eu simplesmente não gosto de crianças, fico o mais
longe possível para não matar nenhuma delas. Mas era uma lua no céu as três da
tarde do dia em que algo nos aconteceu! Não pode ter sido apenas uma lua no céu
as três da tarde. Simplesmente porque a lua não costuma estar no céu as três da
tarde! Entende isso?
Então sim, em raras – raríssimas-
exceções, as coisas podem significar algo até mesmo para seres tão céticos
quanto eu o sou. E já começo a considerar que talvez a tua música tocando no
restaurante italiano signifique que eu não deveria estar lá e que a música não
deveria tocar porque se eu estivesse com você ou no caminho de te encontrar há
a possibilidade de ter acontecido coisas diferentes que poderiam ou não ser
interpretadas como sinal de algo que eu continuaria afirmando não fazer sentido
ou não ter importância. Dane-se, nada mesmo faz sentido porque quando é
sobre você qualquer mínimo detalhe tem importância maior e eu realmente me
contradigo tentando nos entender a partir da minha tentativa de entender você.
Será, então, que seria a minha
contrariedade ao meu próprio ser um sinal?
Mas sinal de quê?
As coisas não precisam ter um porquê. Aceite isso. É uma tremenda mania de mulherzinha essa de querer que tudo signifique algo. - Foda!
ResponderExcluirLi em primeiríssima mão, muito bom (:
Não sei o porque mas veio na minha cabeça o trecho da música O vento dos Los hermanos "Não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer".
ResponderExcluirEntão é melhor assumir que existe algo, do que ficar pensando que não existe!
Caralho, Luiza, que texto sensacional. A cada palavra eu me arrepiava mais e mais. Sejam acontecimentos fortuitos ou calculados, há coisas que nós não conseguimos - e nem devemos - entender. Beijo!
ResponderExcluirEu simplesmente AMEI o texto.
ResponderExcluirE não adianta a gente querer explicar tudo, tem coisas que por mais que tenham razão pra acontecer, não são em sinais corriqueiros que encontramos essa razão.
=)
Beijo.