Come e saboreia aos pedaços, amado meu,
O morango espinhoso e rubro sangue
Este que é nas horas vis de prazer latente
Um elemento da nossa paixão-romance.
E bebe aos goles o teu café forte!
Bebe esse que outrora foi alimento de pensadores
E depois muito me beija a boca
Com os teus lábios vermelhos ainda doces
Ainda gostosos do pó preto, antes fruto
Embebecido, mergulhado em veneno.
Plante a semente da tua minha morte
Consome o alimento dos teus logo findados dias
Mas ame. Essencialmente e acima de tudo, ame.
Ame a vida, felina, louca, bandida, vida!
Adore a candura – que agora tão triste se enrubesce
Para tão logo virar breu; olhos fechados.
Ame loucamente este aí que lhe põe uma estaca
Porque é só, e tão só, o amor que lhe se pode curar.
Resista com coragem, amado meu.
Lute com bravura e empunhe tua espada
Se viver requer força e exige vontade
[Seja lá de onde essa vem...]
Não demos a eles o prazer de morrermos
Sem antes querermos viver; apaixonadamente viver.
Não lhes entreguemos nosso coração ainda pulsante
Que se ainda bomba, se lança ainda toxina
Tão mais pulsa desesperadamente sonhos de liberdade
Não sei (e como saber?) se há vitória para nós
[ os baixo-patamar, os fracos,
os oprimidos, os pobres...]
Mas que a incerteza da vitória da Guerrilha
Jamais impeça que defendamos primavera a vir
Desligue a TV, a revista medíocre pare de ler
As máquinas, algumas, não destrua
há que as mesmo viver
que gente precisa para
Mas não queira sê-las e não as deixe ser você.
Trema, enlouqueça, duvide das certezas das incertezas
Contrarie sem medo, se verdadeiro revolucionário for,
Aquele sujeito que te aponta uma arma à cabeça
Se ele te quiseres morto, então viva!
Se ele te quiseres calado, abarca o silêncio e grita!
Chore angustiadamente, amado meu.
Chore por este mundo absurdamente errante
Ou pela impotência de o mundo concertar
Derrame cinzas lágrimas, densas e pesadas
Sinta no teu estômago e no teu âmago a dor dilacerar
Odeie a incapacidade do suicido próprio
[Esse que por vezes foi solução ao sofrimento presente e ao que, tomado conhecimento, se esperava chegar]
Odeie ainda mais essa hipótese amarga considerar
Chore! Compulsivamente chore!
Sofra! Tão horrível e intensamente; Sofra!
Que só quem sente na epiderme [mais que isso, na endoderme],
Guerreiro meu, é capaz de mudar.
Fiquei sem palavras. Sério.
ResponderExcluirAmei, sem mais.
Adoro esses textos descontruidos, e preciso admitir Luiza. Vc ta cada dia melhor.
ResponderExcluirTo cansado de puxar seu saco, ve se escreve mal da proxima vez.
kKk...