sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vem me resgatar?

Eu te vejo distante e já logo espero pelo teu abraço aconchegante. Mas me mordo quando, pelo caminho, tantos outros braços te agarram e tantas outras mãos, bocas e corpos te alugam.
Inicio meu mantra no exato momento em que a tua pele entra em contato com outra que não a minha: Eu não tenho ciúmes. Não. Eu não tenho ciúmes. Eu não tenho ciú...POR QUE ele não larga tudo e vem me tomar de mim?
De repente, no meio da minha confusão seu perfume me chega antes de ti e eu perco todo o foco; O ciúme se vai, as palavras se perdem e tudo o que eu tinha programado te dizer me escapa. Só então percebo que estou te sorrindo feito boba e me preocupo se demorei tempo demais olhando pros teus olhos.
Tudo dura exatamente dez segundos. Tu fazes o caminho de volta, sempre esbarrando em outros olhares; e eu volto pro meu mantra.
É que eu só queria que tu me lesses e entendesses que eu sou toda tua. Mas lembro que, assim como eu, tu não tens bola de cristal e, portanto não pode adivinhar sentimentos alheios e que se demonstram tão mal. A verdade é que eu não demonstro melhor por falta de coragem.
És tão inteiro que tenho medo de te confessar que meu ser tão pelo meio quer ser parte tua.
Então sempre ensaio te entregar um roteiro, junto com meu manual de instruções. Pra ver se nossos caminhos se encontram e eu te ganho enfim.
Eu sempre fico na plataforma te olhando pegar o trem. Trem que não me contém. A plataforma fica sempre vazia. Da tua presença, é claro.
Dentro de mim é só ausência. Ausência de ti e de mim. Posto que meu tudo (que é só meio) está quase que inteiramente em ti. Pra mim resta apenas a parte que deseja.  No entanto, se até o meu desejo te tem como foco, pode-se dizer que não me pertenço mais.
Então que tal vires cuidar das minhas carências e faltas? Por que, afinal, todas se resumem a ti. E te possuem como único fim possível.

6 Expressões:

  1. Algumas saudades/carências/vontades, só passam de depois de comida, mastigada e devorada a presença. Mais o mais triste é que temos que vomitá-la depois...

    E sobre o mantra... AH EU SOU PRATICANTE. rs

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  2. "És tão inteiro que tenho medo de te confessar que meu ser tão pelo meio quer ser parte tua. "
    Gozado não tem uma semana que estava lendo um poema do bandeira que dizia "Em mim alguma coisa és tu." que drama não?? andar sem os pedaços, com o vazio inssaciavel, inerente, sabendo onde e vendo a outra parte que não vem, não se permite o encaixe. :/

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  3. Coisa absurda isso! É justamente o que tenho sentido e me deixa confusa. muito louco.

    Saudades daqui :)

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  4. Lu, migrei de blog, as uvas faleceram. o NOVO velho endereço:
    http://algohadizer.blogspot.com/
    Ficarei feliz com a sua graciosa visita por lá.

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  5. Da ausência...
    Ausência que dói...e clama a presença tua...
    Eita saudade!
    Texto que me fez suspirar!"... e me preocupo se demorei tempo demais olhando pros teus olhos."

    A gente perde mesmo a noção do tempo. A gente só quer saber de massacrar a saudade...

    Adorei, Lu!
    Beijos!

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  6. Amei o texto, Luiza!
    Parabéns pelo talento... :)

    Quando a gente se vê no que está sendo lido, gosta ainda mais do texto.

    Saudade é coisa difícil...

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