Você vai achar estranho encontrar uma carta minha assim, debaixo da sua porta. Calma, não vim acabar com o seu novo romance, pedir pra voltar ou te entristecer. Não. Você anda por aí com seu sorriso a mostra e seus cachos ao vento. Você só solta os cabelos quando tem algum romance acontecendo, só deixa o vento balançar os cachos dourados quando respira amor; Te conheço. E pra merecer seu perfume preferido, ele só pode ser um cara bacana. Do tipo que ouve Beatles e vai ao parque com você.
Enfim. Eu sei, é bobagem, mas hoje aconteceu algo estranho e eu apenas precisava lhe dizer.
Encontrei alguns poemas. Claro que não os mostrarei; São poemas daqueles anos todos que eu jurei esquecer e te tirar de mim. Mas quem escreve sobre o amor, escreve ou para esquecer ou para (re)lembrar.
Antes, naqueles velhos versos, eu escrevia numa tentativa vã de te esquecer; A gente só esquece mesmo depois que para de escrever. Hoje eu te escrevo para lembrar; Melhor, te escrevo porque lembrei.
E, se me permite uma confissão, até senti uma pontinha de saudade. Acho que doeu um pouco aqui no peito. Não dizem que a saudade só bate quando alguma coisa vale a pena? Deve ser. Eu digo que a saudade bate para dizer que alguma parte da história continua intacta; sem remorso ou rancor por chover.
Daí, enquanto lia aqueles versos cafonas, liguei o rádio e estava tocando a nossa música. Eu sei, tivemos tantas canções pra chamar de nossa, mas a que tocava era aquela especial! Aquela que um dia foi a nossa preferida-de-todos-os-tempos. Acho que o destino, o cosmo, ou alguém lá em cima estava me provando. Ri de desespero.
Na tv estava passando aquele último filme que vimos juntos. Era um sábado de primavera, antecipado ao nosso fim. Você estava no meu sofá com aquele vestido florido, segurando uma xícara de chá de hortelã; Eu passei furioso pela porta e você apenas sorrio e me chamou para ver o filme; Que era qualquer um com um dos caras bonitões que você gosta.
O dia foi todo estranho hoje. Em cada canto tinha um pedacinho de você. Até o café que fiz ficou mais amargo. E eu lembrei de todas as vezes que brigamos porque você colocava pouco açúcar no meu café...Que saudades do seu café!
Ah, também entrou uma borboleta no apartamento hoje. Eu, que tinha a mania de deixa-las trancadas, batendo as asas na janela, lembrei das vezes que você aparecia justo neste momento e me dizia para deixar a borboleta livre - Então você vinha, toda menininha, abria a janela para a borboleta e me dava um beijo na bochecha. - Desde então, eu sempre abro a janela.
Lembra quando na nossa última discussão – última porque foi o fim de tudo - eu disse que você poderia ir porque eu não sentiria a sua falta? Bem, você poderia ir mesmo [se fosse melhor assim], no entanto, eu senti sua falta.
E quando você passou por aquela porta e eu gritei dizendo que você não acrescentava nada na vida de ninguém; Eu sempre estive errado; mas hoje isso ficou mais claro. Você muda as pessoas, sempre para melhor. Você me mudou!
[Obrigado por nunca ter te tirado de dentro de mim. E mesmo assim, me permitir e, melhor que isso, se permitir viver; Outros mundos, outras histórias e outras pessoas.]
Uma linda carta, acho que se recebesse uma assim choraria ate a ultima gota de lagrima que meu corpo seria capaz de produzir daqui a uma decada rs exageros a parte, so tenho a dizer que é lindo sem exagero.
ResponderExcluirPoxa você não só escreve como comove. Bravo! Bravo!
ResponderExcluirNossa, que lindo.
ResponderExcluirE é exatamente como a Maria Luiza disse:
"Uma linda carta, acho que se recebesse uma assim choraria ate a ultima gota de lagrima que meu corpo seria capaz de produzir daqui a uma decada"
Exageros a parte, andei "bizoiando" seus outros posts, adorei. Você tem uma escrita doce.
Lindo!